Mulher, mãe, feminista, militante!

O relógio ainda não marcava 8 da manhã e eu já estava arrumando tretas no mundo.

Cheguei na escola da minha filha e fui com ela na biblioteca devolver e pegar livrinho.

Eis que olho pra prateleira de revistas e só tem Veja!

Fui direto na coordenação!

Se eles querem ter revista tendenciosa de direita, que coloquem revistas tendenciosas de esquerda também, uai!

 

Chegando na firma recebi uma ligação da escola pedindo indicação de revistas de esquerda, pois providenciarão a assinatura destas.

Ganhei o dia !

A gente muda o mundo a partir da nossa casa, da escola, da rua, do bairro e hoje, mais do que nunca, a partir das redes sociais!

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Desdobramento da lição de casa da Aninha: família!

“Camila, a escola entende e aceita todas as configurações familiares. No quinto ano tem uma família com dois pais e no oitavo ano uma família com duas mães. Sabemos que o livro pedagógico se limitou a família com heterossexuais, mas nós vamos além do livro pedagógico. No entanto, achamos que no primeiro ano do infantil não é o momento de trazer essas outras configurações para as crianças, a não ser que a criança leve o debate para a sala, como foi o caso da Aninha”.

Achei que poderia ser melhor e disse isso para a pedagoga. Não entendi porque pode discutir as famílias ditas tradicionais e não às demais, mas para um colégio católico, confesso, a devolutiva superou as minhas expectativas!

A conversa se estendeu para questões religiosas e vi materiais didáticos com a história do povo do terreiro, por exemplo. 💜

 

Seguimos militando pela desconstrução dos preconceitos! Avante!

 

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Família real negra e casamento lésbico

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“A tradição dizia que uma mulher tinha que amar um homem.

E agora, seria jogada na rua por amar uma mulher?

Seria condenada a um casamento forçado apenas para cumprir o que era esperado pela tradição?

Como faria para que todos entendessem que esse amor era tão amor quanto outros amores?”

Trecho da belíssima história infantil “A princesa e a Costureira”, da Janaina Leslão!

Spoiler: a família real é negra e no final da história a princesa casa com a costureira, que também é mãe solo!

Muito amor envolvido!

O mundo ensina

Aninha sempre doou brinquedos. Minha estratégia é falar sobre o assunto logo depois do aniversário, dia das crianças e natal, pois são as datas que ela mais ganha presentes e aí fica mais “tranquilo” abrir mão dos mais antigos. Inclusive ela tinha o maior cuidado de escolher brinquedos inteiros, com todas as peças e eu morria de orgulho.

Mas eis que do ano passado pra cá ela disse “não” para todas as tentativas que fiz. Até comentei com umas amigas que estava assustada com o egoísmo repentino dela.

Aí ontem saímos pra dar uma volta com a Pepina pela quadra e ela viu – não eu – uma senhora mexendo na caçamba de lixo que fica em frente ao supermercado. Ficou olhando fixamente até que eu percebi para onde ela olhava. Não dissemos nada e caladas voltamos pra casa.

Hoje ao acordar ela mal me disse bom dia e já propôs:

“Acho que eu poderia doar uns brinquedos, mamãe. Vamos pegar uma caixa no supermercado e hoje à noite já separo umas coisas. Aí juntamos com aquelas roupas que você separou pra doar e colocamos também um pouco de arroz, feijão e bolacha, tá?”

Tem coisas que a gente ensina, mas a maioria ela vai aprender é no mundão mesmo!

Pegando Aninha na escola

– Uns meninos aí não curtiram minha máscara de Carnaval.

– Ah, filha, problema deles. Quem tem que curtir é você, deixa pra lá.

– Mamãe, eu tomei uma atitude, não deixei pra lá não.

– O que você fez?

– Calma, quando você parar o carro te mostro!

Chegamos em casa, ela desceu do carro e saiu andando sem me esperar.

– Ei mocinha, que tá fazendo? Espera a mamãe.

– To te mostrando o que fiz com os meninos. Eles deram a opinião deles que eu nem perguntei, aí nem respondi nada, sai andando!!!

 

A primeira história

Aí ontem enquanto eu corria pra fazer o jantar, chega Aninha com um desenho bizarro (ela odeia desenhar e deixa claro isso nos bonequinhos com linhas retas e um círculo que lembra bem de longe uma cabeça).

– Mamãe, para o que você tá fazendo que vou te contar a minha primeira história.
– Você lembra a primeira história que te contei, filha?
– Não, mamãe, a primeira história que EU inventei.

(mães nem sempre entendem as crias)

– Conta, Pi.

Vou resumir porque era tipo g.i.g.a.n.t.e:

Um menino branco e um menino negro na escola. Menino branco não quer brincar com menino negro. Xinga o menino negro que não deixa barato e leva o caso para a direção da escola, que chama as duas famílias. A família do menino branco fica passada com o fato de ter um filho racista e o deixa de castigo.

(interrompi a história no meio pra pedir que ela contasse tudo de novo pra eu fazer um vídeo, mas ela respondeu: “contar tudo de novo, tá doida? Não lembro mais o começo).

O menino branco, no dia seguinte, continua sendo racista. Menino negro leva novamente o caso às “autoridades da escola” <<<<< ela disse exatamente isso Emoticon grin ….famílias são chamadas novamente. Mãe do menino branco chora de vergonha, mãe do menino negro chora de raiva. Menino negro e menino branco ficam sem se falar por alguns dias. Menino branco tenta ser amigo do menino negro, que aceita a amizade, mas com uma condição: “m.e.l.h.o.r.e, menino branco”.

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